A concessão do Parque Nacional de Jericoacoara segue sendo alvo de fortes críticas e embates judiciais desde que foi arrematada pelo Consórcio Dunas, em leilão realizado na B3, em janeiro de 2024, pelo valor de R$ 61 milhões de outorga fixa. O processo, que prometia impulsionar investimentos e melhorias na unidade de conservação, tem gerado questionamentos e insegurança jurídica.
Na ocasião do leilão, diversas lideranças políticas e representantes do município de Jijoca de Jericoacoara que defendiam a concessão estiveram presentes na B3, acompanhando de perto o processo e celebrando o resultado como um avanço para o turismo e a infraestrutura da região. No entanto, o cenário atual tem seguido na contramão das expectativas criadas naquele momento.
Uma das polêmicas diz respeito à tentativa de cobrança de ingresso para visitantes que precisam atravessar o parque para chegar à Vila de Jericoacoara. A medida gerou reação imediata da Prefeitura de Jijoca de Jericoacoara, que ingressou com uma Ação Civil Pública. A Justiça decidiu suspender a cobrança, garantindo o acesso à vila sem a tarifa, ao menos de forma provisória.
Além disso, o início das obras no parque, em novembro de 2024, também foi alvo de contestação. A gestão municipal questionou a ausência de licenciamento ambiental adequado, alegando que intervenções desse porte exigiriam estudos mais aprofundados. A prefeitura acionou a Justiça pedindo a paralisação das obras até que todos os requisitos legais fossem cumpridos.
Enquanto a Vila de Jericoacoara pertence e é administrada pelo município de Jijoca, o Parque Nacional é uma área federal, sob responsabilidade do ICMBio. A concessão foi repassada à empresa Urbia Cataratas, que assumiu o direito de gestão e exploração econômica do parque, mediante cumprimento de regras e investimentos previamente definidos.
Apesar da previsão de melhorias estruturais e valorização turística, o cenário até agora tem sido marcado por disputas judiciais, questionamentos políticos e incertezas sobre o futuro da gestão da área. Para muitos moradores e lideranças locais, a concessão, que deveria representar avanço, tem se traduzido em conflitos e preocupações sobre o acesso, a preservação ambiental e a autonomia do município.
A situação segue em acompanhamento pela Justiça e por órgãos de controle, enquanto a população aguarda desdobramentos que tragam mais clareza e segurança sobre o destino de um dos principais cartões-postais do Ceará.
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